5 - Centro de Biologia do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras

Durante este período, a Fundação Calouste Gulbenkian começa a desenhar a sua intenção de construir um Centro de Biologia em Oeiras (Portugal), para o que convida David-Ferreira para integrar um grupo de trabalho para a sua implementação.


Em 1965, a equipa para o futuro Centro de Biologia da FCG era constituída por Flávio Resende, Ribeiro dos Santos, Fernando Peres Gomes, N. Van Uden, Horácio Menano e o próprio David-Ferreira.


Após o seu regresso a Portugal, para a instalação e montagem desse novo Centro de Biologia em Oeiras, a Fundaçao Calouste Gulbenkian o nomeia Director do mesmo, tendo sido a sua inauguração a 20 de Julho de 1967.


Este Centro de Investigação Científica das Ciências Médicas Básicas, onde a investigação da Biologia Celular tinha um papel de relevo, foi um dos mais relevantes investimentos privados em Portugal. Chegou, em termos de investimento em Ciência, a representar 20% do total despendido em Portugal, à época (1960-1970). O apoio inequívoco da Fundação com o provimento dos meios humanos, técnicos e financeiros, permitiu durante os  20 anos seguintes fazer-se a diferença na investigação científica na área das biomédicas.


Este Laboratório conseguiu desde então, pela excelência da sua equipa e da sua produção científica, atrair um conjunto de cientistas internacionais, que trabalhavam em rede, unindo diversos laboratórios europeus e americanos, trocando de bolseiros e especialistas experientes que contribuiram para a "guidance" de diversas teses de mestrado e doutoramento.


As áreas da investigação conduzida neste laboratório estiveram ligadas à Biologia Celular do desenvolvimento, às relações das células com os vírus e à Ultraestrutura Celular e Tecidular. Assim, após o interregno entre o seu regresso a Portugal e o arranque do Laboratório, David-Ferreira retomou a sua produção científica, já em meio nacional e contribuindo decisivamente para dar continuidade à escola biomédica lisboeta.