Homenagem Basílica da Estrela - Prof. Doutor Manuel Villaverde Cabral

Cerimónia de Homenagem a José Francisco David Ferreira, Basílica da Estrela, 9 de Fevereiro de 2012, discurso proferido pelo Prof. Doutor Manuel Villaverde Cabral pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

 

 

Homenagem na Basílica da Estrela
Data 9 de Fevereiro de 2012
Locutor: Manuel Villaverde Cabral

Introdução feita pela Prof.ª Doutora Luísa Cerdeira.

Eu irei brevemente apresentar alguns dos oradores e por isso eu vou pedir ao Prof. Manuel Villaverde Cabral, do Instituto de Ciências Sociais, que também foi colega do Professor David Ferreira na equipa reitoral, que esteve como sabem na Universidade de Lisboa.

Prof. Doutor Manuel Villaverde Cabral:

Muito boa noite a todos, cumprimentos e condolências muito sentidas à família, um abraço aos amigos e colegas, emociono-me com facilidade, de modo que ainda poderei verter uma lágrima.

O David Ferreira foi um conhecimento, um encontro, uma relação relativamente tardia na minha vida, mas foi uma relação de grande afecto e por isso me sinto aqui tão comovido.

Foi como um colega da Universidade que eu o encontrei pela primeira vez, penso, em todo o caso foi nessa altura, que mantivemos um contacto e primeiro um contacto intelectual, na Comissão Científica do Senado, deve ter sido no início dos anos 90, quando eu próprio fui Presidente do Conselho Científico do Instituto de Ciências Sociais que é uma instituição que eu levei ao conhecimento do David Ferreira e que ele, desde então, acarinhou, ajudou, e houve momentos que o apoiou. O apoio dele foi muito importante para nós e não é a toa que os meus colegas já aqui estiveram e que lhe estamos tão gratos.

Depois no seguimento dessa Comissão Científica com o Prof. Barata Moura, com o Prof. Ducla Soares e sobretudo este pequeno grupo inicial que acabámos os 3, David Ferreira, Ducla Soares e eu para sermos coptados pelo Barata Moura para a 1ª Reitoria, 1º mandato da sua reitoria em 98, foram 4 anos muito interessantes, acho que o nosso Reitor conseguiu com a nossa ajuda dar, imprimir, uma mudança importante e que não deixou de ter continuidade até hoje e o Professor David Ferreira foi sempre, Barata Moura dirá melhor do que eu, foi sempre uma figura de conselho, era mais velho e exercia, nobremente, essa função mágica.

Mas eu descobri também com ele, o cientista que na minha ignorância eu só tinha uma vaga memória, através do conhecimento que na altura tínhamos do Instituto Gulbenkian de Ciência e de pessoas que com ele privaram e que comunicavam a importância que ele tinha tido nessa instituição.

Contou-nos, muitas vezes trocámos experiências/memórias sobre os nosso percursos, falo por mim, algo que tínhamos em comum, era um percurso internacional, que por sua vez tinha alguma coisa que ver não direi com um exílio, mas com um afastamento quase obrigatório para poder tornar-se realmente num cientista a sério, o seu percurso internacional, Suécia, o Brasil, os Estados Unidos de que ele falava e eu oferecia-lhe em troca a França, a Inglaterra e essa espécie de memória comum foi muito frutuosa, eu sempre tive a ilusão de que as ciências socais podiam ser cientificas e o contacto com ele foi muito importante, ao emprestar, digamos assim, às suas intervenções na Universidade e as conversas que tínhamos a esse respeito, a emprestar o reconhecimento, a dar o reconhecimento às ciências sociais que às vezes os cientistas ditos nem sempre manifestam.

A Faculdade de Medicina depois, sou testemunha para quem o não soubesse e estão presentes, sobretudo, os seus sucessores, os seus alunos que alguns irão tomar a palavra, o amor que ele lhes dedicara, assim como o reconhecimento que tinha pelas figuras que o tinham precedido na medicina portuguesa, lembro-me de falar do Professor Serrano, que fui ver depois à enciclopédia quem era exactamente, mas sobretudo de Celestino da Costa e conhecem todos, as amizades que eram mais do que meramente cientificas, meramente disciplinares que ele tinha por precursores e que de certa maneira projectava para a frente nos seus sucessores.

Finalmente a figura humana, que é por ventura, aquilo que ficará connosco para sempre e que eu diria que era um caso de real de Sence and Sensability, de inteligência e sensibilidade numa pessoa só e na mesma elevada quantidade.

Ele foi e isso eu já assinalei na equipa reitoral, foi ao mesmo tempo uma figura tutelar de conselho, uma pessoa para quem nos virávamos, à espera de uma última palavra, de um conselho mas também inspiradora, instigadora, uma pessoa que nos empurrava para a frente.

Termino, com aquilo que todos sabem, a cordialidade, a paciência e a tolerância, mas uma paciência e tolerância que correspondia a uma força e a uma coragem equivalentes e que não se notava uma paciência displicente ou de uma tolerância complacente, mas uma paciência e tolerância, ponderadas pela força e pela coragem.

E finalmente, uma coisa que não seja dada a todos, que era aquilo que simplesmente se poderá chamar uma simpatia natural, eu nunca encontrei ninguém que não adorasse o Professor David Ferreira, uma generosidade para mim em todo caso extrema... e é para mim uma grande honra que me tenha sido pedido para falar nele neste momento.

Muito obrigado.