Homenagem Basílica da Estrela - Prof. Doutor Fernandes e Fernandes

Cerimónia de Homenagem a José Francisco David-Ferreira, Basílica da Estrela, 9 de Fevereiro de 2012, discurso proferido pelo Prof. Doutor J. Fernandes e Fernandes, pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

 

 

Homenagem na Basílica da Estrela 

Data: 9 de Fevereiro de 2012

Locutor: Prof. Doutor Fernandes e Fernandes

Gostaria de começar por expressar, em meu nome pessoal e em nome também da Faculdade de Medicina, as condolências à família do Prof. David-Ferreira, sua esposa, seu filho, seu neto e a todas as pessoas e amigos que aqui estão presentes e que nos acompanham neste momento.

José Francisco David-Ferreira foi meu professor na unidade marcante da Faculdade de Medicina, foi investigador, um homem de ciência, um pedagogo admirável, sabia conquistar o interesse dos seus alunos, motivá-los a abrir-lhes os horizontes da criação cientifica e saber ao mesmo tempo incorporar essa visão no ensino. E o seu percurso, como aqui já foi dito, não foi linear, mas talvez fosse importante que não tivesse sido linear.

Do seu Instituto de Histologia, que ele herdara do seu Mestre Augusto Celestino da Costa, na Histologia da Faculdade, cresceram os cientistas de relevo que depois vieram a constituir unidades de investigação e que foram decisivas para o desenvolvimento científico da Faculdade de Medicina e que se impuseram nacional e internacionalmente.

David-Ferreira era um líder inquestionado, era uma pessoa tolerante, amável, simpático e como me contam aqueles que foram mais próximos, um homem profundamente atento a todos os aspectos da vida, participava na actividade da Faculdade e a sua acção foi fundamental para um reforço da ciência, para a constituição dos institutos de investigação cientifica, para a introdução da ciência na vida da faculdade e depois para a constituição do Instituto de Medicina Molecular.

E eu mantive sempre, ao longo da sua vida, mesmo depois da jubilação, interesse empenhado ainda que informal que apenas marcava um distanciamento aparente.

Eu conheci David-Ferreira relativamente bem, era da minha região, em jovem foi muito unido do seu irmão, que também já faleceu e como falava com entusiasmo e admiração do seu percurso cientifico internacional, o que para mim jovem aspirante a ser médico suscitava respeito e muito interesse. Não fui seu aluno, mas vim a conhece-lo quando passei fugazmente pelo Instituto Gulbenkian em Oeiras, e depois aqui como docente na faculdade, após o meu regresso de Inglaterra, e recordo sempre o seu interesse pela minha actividade, conselho avisado e serenidade confiante, como esclarecia e ajudava nas habituais dificuldades.

Foi de facto um Mestre, um cidadão exemplar, foi um Vice-Reitor empenhado no progresso da Universidade, um homem de carácter, pertence àquela galeria de personalidades para as quais o tempo ilumina a acção desenvolvida e por isso será sempre lembrado por gerações dos seus discípulos, dos seus alunos e dos seus colegas.

À meses, como o Francisco já aqui o disse, estudantes lhe dedicaram o seu sarau cultural, homenagem sincera de uma juventude que se reconhece no seu exemplo e que o incorporou com uma figura tutelar, como uma referência, uma referência de índole cientifica, intelectual e moral.

E foi gratificante e muito emocionante, creio que David-Ferreira estava com o seu filho, creio que ele ficou muito sensibilizado, irradiava alegria naquele momento, não obstante a doença que o minava e o sofrimento que era visível.

José Francisco David-Ferreira foi pois um mestre, um cientista que sobre trazer a ciência ao ensino e conquistar o entusiasmo dos seus alunos, e foi para mim um amigo, que recordarei sempre com muita admiração muita amizade e muita saudade.