Henrique Marques dos Santos

Entrevista com Henrique Marques dos Santos

1 de Maio de 2013

Entrevistador: José Pedro Lindmark David Ferreira - JPDF
Entrevistado: Henrique Marques dos Santos, em Oeiras - HMdS

Henrique Marques dos SantosJPDF  Estou a entrevistar o Henrique Marques dos Santos, que foi um amigo de José Francisco David-Ferreira, e o objectivo tem a ver com a realização de uma biografia e no fundo era para conhecer a carreira do Henrique e, por outro lado, as interacções que teve com o meu Pai, as experiências, as coisas interessantes por que passaram porque penso que se conhecem à algum tempo

HMdS – Vamos lá ver, a situação,  o meu conhecimento com o teu pai data da altura em que ele fez a aquisição da casa em 1966.

JPDF – Da casa em que nós estamos?

HMdS – Sim, desta casa em 1966, pode-se pensar que seja na 1ª metade, porque o Henrique José, o meu filho, veio para aqui com 3 anos e fez cá 4 anos, ele faz anos em Outubro.
E curiosamente quando eu, a certa altura, estava a tratar da compra da casa, a dona da casa disse-me que já tinha praticamente vendido 2 andares, para 2 doutores que trabalham na Fundação Gulbenkian em Oeiras, eu fiquei um bocado atrapalhado, disse cá para mim, vamos ter 2 cientistas e tal, isto vai ser um bocado complicado... porque custumam ser umas pessoas um bocado mais esquisitas e pronto...
Até que um dia nos encontramos....

JPDF – Esta casa tem 4 fracções? Uma moradia em Oeiras com 4 fracções...

HMdS – Exactamente, 1ª fracção era para o teu Pai, a outra fracção o teu Pai convenceu o Fernando Peres Gomes a ficar com a outra.

JPDF – Também médico e a trabalhar aqui...

HMdS – Também médico e colega dele também, a trabalhar ali na Fundação Gulbenkian na parte de farmacologia salvo erro...
E eu disse: "bem, temos de ver porque cientistas médicos e tal são sempre pessoas que têm assim uma atitudes um bocado, de tratamento especial... era essa a minha ideia... desmoronou-se no logo à partida".

JPDF  Mas o Henrique comprou a sua fracção e a 4ª fracção?

HMdS  Exactamente, comprou o Eng. Lefevre... Pedro Manso Lefevre, que foi aqui portanto nosso vizinho durante muitos anos, o Eng. José Pedro Manso Lefevre...

JPDF – Quem era ele?

HMdS – Filho do Joaquim Manso, fundador do Diário de Lisboa, o jornal, e era uma pessoa extraordinariamente culta e quando era o que se passava aqui ao fim de semana, depois o Fernando Peres Gomes, a certa altura ao fim de 2 a 3 anos, coisa assim, saiu para outra casa porque precisava de mais espaço para as filhas e o Eng. Lefevre disse, antes que apareça aqui algum chato para comprar o andar que era do Fernando Peres Gomes, o melhor é eu comprar também esse andar e assim ficámos já resolvidos.

JPDF – Assim ele ficou com os 2 andares...

HMdS – Sim com os 2 andares ...e depois acabou a certa altura por vir o meu sogro para aqui, porque o meu sogro vivia em Cascais, não queria comprar casa, o meu sogro tinha um complexo em comprar casa, porque há um ditado que é "Ninho feito pega morta"...

JPDF – Há ali uma coisa negativa, o aluguer é que era bom..

HMdS – O aluguer é que era bom e o Eng. Lefeve disse assim: "sim senhora então vens para aqui e pagas 1 conto de reis por mês e ficas assim"

JPDF – O seu sogro quem era?

HMdS – O meu sogro era Eng. Químico e Agrónomo, director do Laboratório de Normalização e Fiscalização de Fraudes do Ministério de Economia, e foi durante toda a sua vida e portanto a certa altura chegámos a uma conclusão, eu julgo que o teu Pai andou também no Camões.

JPDF – Andou no Liceu Camões...

HMdS – E um belo dia descobrimos que andámos todos no Camões, eu, o meu sogro e o teu Pai, não ao mesmo tempo, evidentemente, mas a certa altura quando tínhamos, tivemos professores comuns...

JPDF – Há isso não sabia...

HMdS – Professores comuns de Ciências Naturais, do meu sogro que foi também meu professor de Ciências naturais, era um Eng. de Minas excepcional, o Eng. Simões e julgo que foi também professor do teu Pai, logo aí havia também essa...
Mas voltando ao princípio, e quando foi da apresentação formal minha ao teu Pai, a coisa que logo desmoronou, a minha, o meu receio, que isto ia ser digamos uma coisa complicada mas não se esgotou logo assim porque o teu Pai disse: "Nós viemos da América e tal e eu sou como os americanos que se tratam pelo 1º nome, não há títulos." Pronto, assim estou com a minha gente, que eu também tinha estado no América e o que eu tinha apreciado nos 2 meses que eu tinha estado na América, era exactamente a mesma coisa, os americanos tratam-se todos pelo 1º nome e assim ficámos.

JPDF – Isso não era prática há 40 anos?

HMdS – Não era prática cá em Portugal, porque enfim impera aqui, para aqueles que possam não gostar daquilo que eu vou dizer, mas de facto um facto é que em Portugal sempre houve a chamada aristocracia do canudo... ou é Dr. ou Eng. e recentemente nos nossos políticos ou é Dr. ou é Eng. ou não é ninguém... e estamos arrumados.
Bom e logo aí houve um ponto comum excepcional, depois aconteceu que também tanto o Eng. Lefevre como o meu sogro eram profundos conhecedores de historia (historia de Portugal e Mundial), etc., e o teu Pai...

JPDF  Muito francófonos?

HMdS – Muito, o teu Pai era uma pessoa com uma vastíssima cultura, portanto a partir daqui havia sempre tema que desse nas nossas conversas, nas nossas reuniões e não era situação de nós andarmos em casa uns dos outros, porque nunca tivemos essa cultura aqui neste pequeno prédio...

JPDF – Então como é que faziam?

HMdS – Encontrávamo-nos na escada ou no jardim, a apanhar qualquer coisa, uma vez encontrei o teu Pai a apanhar gafanhotos ...quer dizer...

JPDF – A apanhar gafanhotos, para quê?

HMdS – Ele respondeu que depois eu ia ver, depois apanhou-os e meteu-os num frasco e levou aquilo lá para a Gulbenkian e depois um dia disse-me: "um dia você tem de vir aqui ao meu gabinete ver aqui na Gulbenkian" e eu cheguei lá e vou para um gabinete e a parede da parte de trás da cadeira onde o teu pai se sentava, era uma parede que tinha um painel, um mural a preto e branco e ele disse: "Isto não é nem mais nem menos que a reprodução 150.000 vezes, a fotografia de um microscopia electrónico dos tecidos dos aparelhos sexuais dos ditos gafanhotos" e foi realmente um espectáculo.
É claro que naquele tempo, aqui esta casa tinha ..., não havia construções de um dos lados e do outro lado pouco havia ainda e então apareciam aqui os bichos mais anormais que se pode pensar... apareciam cobras, até apareceu um cágado uma vez nem sei de onde é que ele veio e enfim e dentro desses animaizinhos que aí apareciam, quer dizer, apareciam caracóis e descobrimos que tínhamos mais um ponto em comum, era que gostávamos todos de caracóis, o Eng. Lefevre, o meu sogro, o teu Pai e eu, óptimo, eu passei a arranjar um livro que a Teresa tinha aí de cozinha com uma receita de caracóis à portuguesa, passei a cozinhar os caracóis e juntei um toque, enfim, embebedei o molho dos caracóis com whisky e faziam-se umas sopinhas naquilo e é claro que um dia atrasámo-nos na feitura e cozedura dos caracóis, porque as condições atmosféricas estavam más e porque também a Teresa era quem tratava dos caracóis, que eram metidos numa cesta e pendurados num limoeiro que havia aí para evitar que as formigas fossem lá... um dia quando as formigas foram, avançaram-se a nós e comeram os caracóis e quando eu cozi as cascas porque não sabia se tinham alguma coisa lá dentro, porque não fazia a mínima ideia ...quando nos sentámos lá fora para comer os caracóis, não havia caracóis...

JPDF – Não havia nada?

HMdS – Não havia nada, zero, acabamos por fazer sopinhas no molho e continuamos com as nossas conversas... é claro que as nossas conversas, particularmente as minhas com o teu Pai, às vezes havia uns desentendimentos, porque o teu Pai era uma pessoa que eu nunca conheci ninguém como ele, com essa característica, era o mais português dos portugueses, ninguém podia dizer mal de Portugal, porque ele ficava pior que urso, não podia dizer mal dos portugueses e se queria haver discussão garantida era eu dizer: "pois, são os portugueses que fazem esta brincadeira". Estava o caldo entornado, a outra característica também que era também muito especial era um alto sentido de humor, era uma pessoa que gostava de rir e nem sempre encontramos pessoas que gostem de rir... o teu Pai gostava de rir e gostava de comunicar, também rindo e houve um dia, uma situação, não sei se te recordas dela mas o teu Pai e o Fernando Peres Gomes estiveram juntos nos Estados Unidos, uns 2 anos para aí...

JPDF – Mas não estavam no mesmo sitio...

HMdS – E ficaram e o teu Pai descobriu que o Fernando Peres Gomes era um fã de bacalhau, gostava de bacalhau e então ...isto deve-se pensar no ano anterior a uma crise de 80, 81 para aí, mas isto passou-se antes e sei que o teu Pai um dia no Natal ofereceu ao Fernando um bacalhau que parecia um rabecão, um bacalhau enorme, embrulhou aquilo num papel, muito bonito, com um grande laçarote no rabo do bacalhau e ofereceu-lhe aquilo muito bem e o Fernando ficou todo satisfeito e no ano seguinte a situação começou a ficar mais para o torto, aqui na parte da nossa economia e tal, e aí o teu Pai fez uma caixa toda bonita, toda muito bem, com um papel todo bonito e com uns laçarotes e tal, com umas postas de bacalhau, depois a situação ficou agravando-se mais um tempo e não sei se foi no Natal já ou já na altura dos anos do Fernando lá foram uma caixa de pasteis de bacalhau...

JPDF – Aquilo ia diminuindo...

HMdS – E acabou, porque no auge da crise, que foi um frasco muito bonito cheio de álcool e tinha lá dentro umas farripas de bacalhau e dizia cá fora "Essência de bacalhau" ...e assim terminou a odisseia do bacalhau, mas era realmente uma situação curiosíssima...

JPDF – Mas também se encontravam muito ali no jardim, porque o Henrique costumava fazer ali uns churrascos fantásticos.

HMdS  Pois era, aí era, e digamos que o teu Pai e a tua Mãe eram sempre convidados e partilhavam aquela brincadeira, porque eram sempre uns momentos extremamente agradáveis...

JPDF – E depois vinham as famílias todas...

HMdS – Um convívio e além disso o teu Pai tinha ainda uma outra característica, que eu ...há um aspecto aqui que já falamos e eu vou frisá-lo é que estávamos nós cá na casa, deverá ter sido há uns 4 anos em 70 ou 71 talvez e estávamos a... era um fim de semana e eu estava à janela de um sitio onde não costumava estar, que era na marquise do lado de trás e quando olho para o lado, vejo o teu Pai também na janela da marquise mas com um ar muito triste, muito preocupado e eu: "Oh David, o que é que se passa?"... o teu pai diz "Estou completamente desnorteado" ..."mas porquê?" ..."fui mobilizado"..."mobilizado, mas para onde?" ... "já tenho guia de marcha e tudo para ir para Angola"... "já recebi até o dinheiro e tudo para o fardamento e não sei que mais"...

JPDF – Isto era por causa da guerra?

HMdS – Exactamente, era por causa da guerra em África..

JPDF – Foram buscar a malta mais velha?

HMdS – Exactamente e depois ele disse: "vou ter de ir para lá porque a minha especialidade de anatomia é dissecar os cadáveres". E eu digo assim: "Isso é um disparate, uma pessoa com a sua formação e com a sua posição e fazer isso que pode ser feito por um qualquer, pode destruir a sua carreira". E fiquei de tal maneira impressionado, e chateado com aquela situação, que isto foi num domingo (70, 71), e no dia seguinte que era uma segunda-feira eu cheguei à empresa onde trabalhei a maior a parte da minha vida e havia um Eng. militar que era nosso consultor para a construção civil e que tinha uma empresa de projectos (o Eng. Nunes Garcia, que tinha sido comandante da escola prática de engenharia em Tancos e Presidente do Supremo Tribunal Militar, era uma pessoa com projecção e uma pessoa espectacular); e eu cheguei lá e encontrei-me com ele, como quase todos os dias e contei-lhe a historia... "Queres ouvir uma historia curiosa, passou-se isto assim e assim... acha que é normal ...os tipos do Exército fazerem a mobilização da uma pessoa com este currículo, com esta situação ...isso é um completo disparate" ... e ele era muito amigo do secretário de estado do exército que era o Brigadeiro Alberti e disse: "Eu vou já ligar para o Alberti", e dali ligou mesmo para o Alberti...

JPDF – Isso ainda era no tempo do Salazar?

HMdS – Do Salazar... e falou com o Alberti ali mesmo, e ele era uma pessoa muito brincalhona e de modo que tinha grande confiança, porque eles eram colegas de curso da Academia Militar, etc., telefonou ao Alberti e disse "Vocês são uma nódoas... passa-se isto assim, assim "e não sei o que é que o Alberti lhe respondeu, nem soube depois mais nada desta conversa, só que sei que passado uns dias encontro o David com um ar felicíssimo a dizer "já não sou mobilizado e ainda por cima o tipo que me vai substituir na mobilização era um tipo que fazia questão de ir para este lugar para ...Luanda" e pronto foi assim e eu nunca cheguei a, não me lembro se alguma vez contei ao David, esta minha parte da minha intervenção, fosse por ela ou fosse por eles terem verificado que tinham feito uma asneira o que é de facto é que ....

JPDF – Aceitaram a troca?

HMdS – Aceitaram.

JPDF – Fiquei espantado porque não sabia que havia essa modalidade de troca...

HMdS – Aceitaram a troca, quer dizer, e o David não foi mobilizado e foi um bem para ele e para o País. Isto tudo nascia da nossa proximidade, que era muita, sem que fosse uma proximidade que invadisse a privacidade de cada um, que não havia essa cultura.
Batíamos à porta uns dos outros, falavamos e tal, mas enfim não era, aquela situação de ser visita obrigatória não, era uma coisa... foram 46 anos inesquecíveis.

JPDF – Falavam muito? Muitas discussões? Muitos temas...

HMdS – Temas havia para todos os gostos, começava-se na 2ª Guerra Mundial e acabava-se no momento político actual, isso era todos os dias e lembro também uma situação curiosa, que uma vez, nós estávamos já na fase do PREC, depois do 25 de Abril (1975) e eu sei que um belo dia ia a sair para a escada e oiço uma voz, que era uma voz que me era familiar - "eu só conheço uma pessoa com esta voz" -, que é o general Costa Gomes ...e pensei o que é que faz o General Costa Gomes aqui em casa e depois descobri que afinal era pai de um amigo teu e que veio cá.
E sucedeu esta situação curiosa, o meu sogro era antimilitarista, anti-esquerdista, ele até era monárquico e portanto, não morria de amores por um relacionamento com o Costa Gomes...

JPDF – Que era o actual Presidente da República?

HMdS – Naquela altura, não era presidente da república, era chefe do Estado Maior, bem sei que acabou o dia o Costa Gomes sentado debaixo do pinheiro, que ainda existe aqui na casa, com o meu sogro, os dois falando sobre tudo e mais alguma coisa, pois o Costa Gomes era uma pessoa também com uma grande cultura e os dois ali assim... mas o que é facto é que o meu sogro e o Costa Gomes, conversando animadamente debaixo do pinheiro, mas não em contradição, estavam a analisar os factos do passado da historia de Portugal e do mundo.

JPDF – No meio do Jardim?

HMdS – No meio do jardim ...mas enfim ...isto foi ao longo deste tempo ...que eu continuo a dizer que o teu Pai teve aqui um lugar nesta pequena comunidade ... "insubstituível "...

JPDF – E o Henrique não tinha nada a ver com ciências? Ainda não me falou de si?

HMdS – Não, o meu filme é este... eu fiz o meu serviço militar ...vamos lá ver isto... tem de ter uma historia para ajudar, ...a certa altura eu fui chamado para o serviço militar, estava eu no 5º ano do Técnico porque tinha atingido a idade para fazer o serviço militar. Na altura o Técnico eram 6 anos, não era curso de aviário, eram 6 anos e portanto fui chamado para a Escola Prática de Engenharia que era para onde eram chamados os alunos do Técnico que estavam ...bom, técnico e agronomia e então chegámos lá ...serviço militar normal ...fomos para Tancos e ao fim de 3 semanas veio uma ordem do ministro para nós ...passarmos novamente à disponibilidade... Porquê? Porque havia uma lei na altura que tinha acabado de sair... Mas estamos a falar de 1958 para aí... e portanto essa lei dizia que não podiam ser mobilizados para serviço militar no Ultramar os alunos de engenharia ou qualquer curso superior que não tivessem o curso completo e nessa altura estávamos nós no começo da guerra da Índia, a "Invasão do Chatiagras"...e portanto  nós voltamos para casa, para a vida civil, para o Técnico e eu disse para um colega meu, eu já estou farto de andar aqui a ser um bode expiatório dos militares, começou quando eu andava no liceu a certa altura fiz no meu 6º e 7º ano, uma coisa que se chamava a milícia da mocidade portuguesa, era feita...

JPDF – Era obrigatório?

HMdS – Não era facultativo, com o atractivo de que se completasse os 2 anos de milícia, que eram feitos apenas ao domingo na academia militar, eras dispensado do 1º ciclo dos oficiais milicianos

JPDF – O que era uma vantagem?

HMdS – Era uma vantagem...

JPDF – A chamada recruta?

HMdS – Exactamente, assim fui, simplesmente quando acabei, disseram que isso foi a brincar, já não é assim, afinal de contas tem de fazer na mesma, e eu aí tive de fazer, esperar que fosse chamado para o serviço militar e cumprir com aquilo que era normal cumprir, que era fazer o ciclo dos oficias milicianos e disse a um colega meu: como isto já é a segunda vez, não vai haver terceira ...eu fico chateado com os tipos da tropa, do exército, eu vou pedir para ir para a Força Aérea... e ele disse-me... boa ideia porque eu também estou nessa, então vamos os 2 para a Força Aérea.. e assim foi ... fomos para a Força Aérea...

JPDF – Depois de acabar o curso?

HMdS – Não, ainda antes de acabar o curso, foi no ano... passámos para o 6º ano, este decorreu e agora, na altura do 6º ano, em Outubro

JPDF – Que acabou em 1959?

HMdS – Sim fomos para, tínhamos de fazer como estava na Força Aérea, esta não tinha 1º ciclo de oficias milicianos, fomos fazer 1º ciclo de milicianos na artilharia de costa em Oeiras, bom quer dizer, assim foi, quando acabou o 1º ciclo tínhamos que nos apresentar em Sintra, que era a nossa base aérea nº 1 e quando chegámos lá, diz o Capitão que nos entrevistava para ver as nossas habilitações e tal e nós dissemos que frequentámos o 6º ano do Curso de Eng. Mecânica e Aeronáuticas no Inst. Superior Técnico. O capitão fez um espanto enorme e disse: "O quê, vocês já estão quase Eng. Aeronáuticos e vêm para aqui para um curso de manutenção onde qualquer individuo, só com a admissão à faculdade, entra para aqui ...isto está tudo doido". E eu não disse nada, e vínhamos no autocarro para Lisboa e eu disse ao meu colega Zé Manuel, a gente vai fazer uma coisa, o capitão deu-nos uma dica, vamos ao Estado Maior...aquilo para mim era igual à tropa, tinha que ser ...era o que fosse ...e assim foi, fomos há secretaria, subsecretaria na altura, subsecretaria de estado da aeronáutica, que era ali na Av. da Liberdade e estava o porteiro dos serviços públicos com a farda azul escura... então os senhores o que pretendem?
Nós queremos falar com o Chefe de Estado Maior.. ele ficou baralhado, pois éramos cadetes do exercito, embora tivéssemos dados para a força aérea e tínhamos uma estrelinha dourada que era identificativo de Cadete ora sucede que nessa altura, precisamente nesse ano, a força aérea tinha deixado de ter galões e passou a ter estrelinhas, o Alferes tinha uma estrelinha, tenente tinha 2 estrelinhas o capitão tinha 3 estrelinhas, eram estrelinhas, o porteiro viu-nos com uma estrelinha e deve ter pensado que éramos alferes ou coisa assim e tudo bem e assim foi fomos recebidos pelo chefe do estado maior ...

JPDF – O Chefe do Estado Maior?

HMdS – O Coronel Mera (salvo erro) e contámos a nossa historia, passa-se o seguinte, acabámos o 1º ciclo de oficias milicianos em artilharia de costa e tínhamos de nos apresentar agora na base aérea de Sintra para fazer o 2º ciclo oficiais milicianos, já na Força Aérea e então o capitão que nos entrevistou comentou isto assim assim e disse-lhe o que ele tinha comentado e diz o chefe do estado maior: "ele tem razão, olha vocês fazem uma coisa, atravessam aqui a Av. da Liberdade, vão à Alexandre Herculano, há ali uma tabacaria, compram 2 meias folhas de papel selado, vêem aqui e vamos fazer uma exposição ao Sr. Subsecretário de Estado, que era o Kaúlza de Arriaga ...tudo bem e assim foi, fomos comprar e voltámos ao Coronel e o Coronel ditou-nos aquilo que havíamos de escrever: "Exmos Sr. Dr. Tal e Tal... "Vocês agora fazem uma coisa, vocês estão de licença, sim temos uns dias de licença registada, até sermos chamados de novo..., então vocês fazem uma coisa, eu tenho amanhã uma reunião marcada com o Sr. Subsecretário, depois de amanha vocês venham cá e peçam para falar comigo, eu digo-lhes o que é que se passou ... e assim foi... passado 2 dias fomos lá, o porteiro viu-nos lá, já nos conhecia..., "Faz favor de entrar"... entramos e diz ele, de acordo com o Subsecretario de Estado, está de acordo 100% com o capitão, sim Sr., nós só precisamos de engenheiros aeronáuticos e não no pessoal de manutenção... muito bem, portanto, vamos fazer o seguinte, para que não haja perturbação do vosso curso, isto foi feito sem qualquer cunha, foi só conversa directa, faz-se assim, o Subsecretario de Estado entende que vocês para puderem acabar o curso no Técnico, que estão a acabá-lo neste ano, sem qualquer problema, vão frequentar um curso de transportes rodoviários, numa unidade que é o mais perto na Av. de Berna e quando acabarem o curso, vocês vem cá e passam licença registada, até acabarem o curso e depois apresentam-se aqui para serem colocados num estágio, e assim foi... a situação que fomos frequentar o curso de transportes rodoviários, que era um curso frequentado por pára-quedistas, oficias todos, sargentos e éramos nós 2 cadetes e mais 5 cadetes que tinham vindo da escola prática de engenharia, que eram colegas nossos do nosso ano, mas de outra especialidade, tudo bem ...muito bem..
Nós entramos no curso, já tinha começado, entrámos 2 ou 3 dias depois do curso já ter começado e lembro-me perfeitamente do Capitão que estava a dar instrução, a quem nós nos apresentamos e diz o capitão: "Vocês desculpem mas eu não percebo nada disto, vocês vem fardados à artilharia de costa, pertencem à força aérea e vem fazer um curso de manutenção de transportes rodoviários num grupo tremauto ...que era do exército... não dá para perceber, mas pronto ordens são ordens... está aqui a guia de marcha", pôs o carimbo ...tudo bem, perfeito... e assim foi.

JPDF – E fizeram lá o curso?

HMdS – Fizemos o curso, curiosamente sucedeu o seguinte: se algum militar hoje ouvir isto que eu estou a dizer ainda me passa uma multa ou me dá ordem de prisão, mas a certa altura o que é que sucedeu, que nós éramos 2 cadetes e haviam mais 5 que tinham vindo da escola prática, éramos 7, mas não sei porque o capitão convenceu-se que éramos sempre 6 de modo que todos os dia ficava um em casa, para não desfazer o equivoco, ficava 1 em casa...

JPDF  Por rotação?

HMdS  Por rotação é claro que um dia ia-se dando uma bronca grande, porque estávamos os 6 formados e o 7º baralhou-se e apareceu e nós a dizer ao tipo para se ir embora e até que chegou a altura de passarmos, digamos à situação de terminar o curso de oficias de milicianos, o 2º ciclo e para a promoção a aspirantes e muito bem, aí formámos os 7 e o Capitão, "7 mas vocês, não são 6", não, sempre fomos 7, ele conhecia-nos a todos, nunca lhe passou pela cabeça que havia sempre 1 que ficava em casa e assim foi, entramos de licença registada e fomos acabar o curso no Técnico e, em Agosto, já com o curso terminado apresentámo-nos novamente...

JPDF – Na base aérea?

HMdS – Não, apresentamo-nos no Estado-Maior, nós só nos apresentávamos ao Chefe do Estado Maior e então foi guia de marcha para nos apresentarmos em Alverca nas Oficinas Gerais da Aeronáutica da OGMA, para estágio, depois seriamos colocados numa base aérea ...muito bem.
É claro que fomos, acabámos o curso e apresentámo-nos na base aérea, simplesmente que a nossa guia de marcha ia errada, e errada porquê? Porque dizia seguem para (eu era mais velho que este meu colega, por isso eu ia sempre a comandá-lo) Alverca para estagiar até à promoção a alferes, ora bem, a promoção a alferes era um 1º ano depois de entrar como aspirante, portanto, enquanto que o estágio eram só 6 meses...

JPDF – E o que é que aconteceu?

HMdS – Aconteceu ao fim de 6 meses, o subdirector que eu conheço e ainda é vivo e eu tenho o prazer de vez em quando  ir jantar com ele

JPDF – Da OGMA?

HMdS – Da OGMA, o General Fernandes, era o subdirector e então vocês agora acabaram os estágios e vão ser colocados numa base aérea e eu disse: "o meu Major desculpe, não podemos ir..." - "Então porquê?" Isto é só até há passagem a alferes... então vocês passam já a alferes... mas isso era óptimo, mas isso é só daqui a 6 meses, é que somos promovidos a alferes... Estávamos nós nesta conversa e aparece a informação do director das Oficinas, o Brigadeiro Fernando Oliveira, que foi depois ministro das Comunicações depois de Abril e diz ele assim: "é pá tenho aqui a notícia que 2 Eng. aeronáuticos civis pois não havia militares, nós éramos os primeiros, seriamos os primeiros, os outros só faziam estágios, 2 engenheiros civis vão para Angola em serviço privado, e vocês não querem cá ficar a fazer o resto do serviço militar? Ó meu Brigadeiro isso é para já... então tenho 2 oficinas, uma é de Oficina de equipamentos, viaturas terrestres e outra oficina de componentes hidráulicos, o que é que vocês escolhem?
Ó Brigadeiro, o melhor é mandar moeda ao ar e escolher e foi mesmo assim, eu fico com as viaturas e o Zé Manuel fica com os hidráulicos e assim...

JPDF – Não foram para Angola nem para África?

HMdS – Nada, zero, a guerra só começou em 1961, estamos a falar dos anos 70, mas não ficámos por aqui, fizemos lá o estágio, que foi espectacular, a nossa passagem nas oficinas foi numa casa espectacular ...isso ....

JPDF – Na altura ainda fabricavam aviões, lá não era?

HMdS – Exactamente, era o Chipmunk. E eu como digo, por outras razões, vim encontrar novamente agora há uns 2 anos, um amigo comum e do General Alberto Fernandes e resultou daí que hoje em dia sou sócio da associação da força aérea e de vez em quando vou a jantares ou almoços, lá no restaurante com os generais, todos dessa altura, alguns eram pilotos de prova... eram giríssimos, alguns com noventa e tal anos.. espera que isto ainda não acabou, entretanto a certa altura estávamos nós a fazer, tínhamos feito 6 meses de trabalho em oficina, já não era estágio era trabalho, a força aérea estava sem verbas...

JPDF  Sem verbas?

HMdS  Sem verbas, queria fazer economias, então sai uma ordem dizendo que todos aqueles milicianos da força aérea que terminassem em dezembro daquele ano de 60/61, terminassem o serviço, viam antecipado para Agosto a sua saída.

JPDF – A sua saída com o serviço militar cumprido...

HMdS  E eu disse para o meu colega: "Zé Manuel, isto é assunto, para os nossos amigos lá de baixo, nós não somos curso nenhum, o nosso problema é que não éramos de curso nenhum, éramos dois desgarrados de qualquer curso e a cumprir aquilo nós deveríamos sair em Janeiro.

JPDF  Do ano seguinte?

HMdS – Do ano seguinte, enquanto a ordem era de Dezembro viam antecipado a saída para Agosto, disse o Zé Manuel.

JPDF – Não me digam que foram outra vez ao Coronel?

HMdS – É claro que fomos ao Coronel e dissemos: passa-se isto assim, assim, somos apanhados por um Mês, nós trabalhamos e até somos capazes de ser mais bem-vindos no País na industria se conseguir antecipar a nossa saída, outra vez uma exposição ao Subsecretario de Estado e o Kaulza disse -"Sim Senhor, deferido... e nós saímos em Agosto, mas eu a certa altura quando estava para sair o Director da Divisão da Metalomecânica da OGMA que era o Eng. Branquinho da Fonseca (uma pessoa excepcional, irmão do escritor Tomás Branquinho da Fonseca) disse-me: "Olha lá pá e tu quando saíres daqui para onde é que vais? Ó Eng. tenho um convite do meu pai, anda na marinha mercante, é da Sociedade Geral, tenho um convite para a Sociedade Geral, o meu pai tinha um senhor Eng. Chefe que tinha muito gosto em trabalhar comigo, tenho um convite da TAP, não me lembro, mas tinha uns 3 ou 4... e diz-me o Eng. Branquinho da Fonseca, não queres ir começar a trabalhar numa empresa pequenina que começa agora, mas são uns tipos extraordinariamente dinâmicos e têm uma representação espectacular, uma empresa que se chama "Smeia" e tem a representação da Caterpillar...

JPDF  Como é que se chamava?

HMdS – Smeia, e tem a representação da Caterpillar, eu sou muito amigo do director geral.

JPDF  Mas esses eram os gigantes nos Estados Unidos...

HMdS – Sim claro, eu sou muito amigo do Director Geral e eu disse-lhe a ele: "diga-me lá a sua opinião, se tivesse no meu lugar, o que o Sr. escolhia?" TAP, Lisnave ou essa empresa que o Sr. Disse? Eu escolhia a empresa... então pronto, está feito, diga lá ao seu amigo que quando eu for...

JPDF – E foi assim?

HMdS – Foi assim que eu comecei a minha vida...

JPDF  Obra do acaso completamente?

HMdS – Completamente, ora bem, aqui vez assim entrei para a STET, onde estive trinta e tal anos

JPDF  Só teve como emprego civil a STET?

HMdS – No começo só entrada, comecei como adjunto...

JPDF – Nunca saiu estes anos todos, esteve sempre na STET?

HMdS – Sempre, aí entrei como adjunto do Director da oficinas, o director das oficinas foi-se embora passado menos de 1 ano e eu foi promovido a director das oficinas e fui mandado para a América, para um curso intensivo de 2 meses que... e depois foi criado um serviço novo, de Após Venda que tinham outras implicações além da parte oficinal...

JPDF – Como o apoio ao cliente?

HMdS – Apoio ao cliente, etc., fui director desse serviço e depois tomei conta de outro serviço, que foi o de director de pessoal dos serviços administrativos e formação; depois fui para adjunto do Director Geral e depois Director Geral e depois como Administrador, foi até ao fim e só saí de lá quando, ainda trabalhei lá...

JPDF – Mudaram os donos não foi?

HMdS – Exactamente, a empresa era 100% portuguesa e depois passou a ser de um iraniano e depois o iraniano vendeu à congénere da STET que era, voltando nesta empresa Semeia a certa altura, foi muito discutido se havia de ser feito uma divisão Semeia/Caterpillar ou uma sociedade independente ...fez-se uma sociedade independente e chamava-se STET-Sociedade Técnica de Equipamentos e Tractores e a outra Sociedade de Mecanização Industrial e Agrícola..

JPDF – Interessante, no outro dia quando nós falamos, lembra-se daquela historia da Assembleia da República, alias da Assembleia Nacional, você tinha uma pessoa amiga, lembra-se da historia que me contou? Fez um discurso e acabou por sair...

HMdS – Bem, vamos lá ver ...essa...

JPDF – Antes de terminar gostava que me contasse essa historia...

HMdS – Essa foi uma historia ainda passada como estudante e digamos na ponta final do meu curso no Técnico, porquê? Porque era na altura que estava em pleno regime salazarista e era Ministro da Educação o Eng. Leite Pinto, que aliás o teu pai conhecia bem...

JPDF – Pois, eles cruzaram-se porque foi ele que apoiou o 1º microscópio electrónico em Portugal.

HMdS – Exactamente, o Leite Pinto tinha um filho que era meu amigo, que não tinha nada a ver com o Técnico, o Chico Leite Pinto, não sei onde é que ele andava e então o Leite Pinto, passou-lhe uma ideia pela cabeça, que era pôr a Associação de Estudantes do Técnico e a Associação de Coimbra a passarem para a égide da Mocidade Portuguesa, é claro que isso deu um sururu do arco da velho, pois são duas associações poderosíssimas e independentes e que não gostavam de ser controladas pelo Estado e muito menos pela Mocidade Portuguesa, obviamente deu um sururu muito grande, pelas repercussões que tinha, porque obviamente havia engenheiros e doutores formados por ambas as universidades que estavam em posições de destaque e eram contra a situação e não aceitavam que as suas antigas associações, a que eles tinham pertencido e tinham muito gosto em pertencer, fossem absorvidas pela Mocidade Portuguesa, portanto aquilo armou-se ali um sururu do arco da velha, lembra-me que na altura o director da associação do técnico era um rapaz que faleceu à uns tempos, vi a morte dele anunciada, o Eng. Prostes da Fonseca (uma pessoa muito conhecida) e enfim armou-se um sururu em que a certa altura se foi buscar alguém que pudesse defender os interesses das 2 associações e que era um deputado da Assembleia da Republica, na altura Assembleia Nacional

JPDF – Contra a opinião e intenção do Ministro?

HMdS – Contra a intenção do Ministro que era o Eng. Daniel Barbosa (falta-me o nome) e assim foi e ele acedeu a defender a nossa posição e aquilo foi discutido, era na altura Ministro de Presidência o Marcelo Caetano, portanto o Marcelo Caetano comprometeu-se com as Associação de Coimbra e do Técnico, de que assistiram ao debate na Assembleia...

JPDF  Os próprios membros?

HMdS – Sim até encher aquilo, bom e assim foi e nós juntámo-nos na escadaria onde se vão juntando as manifestações actualmente ao pé dos leões e aquele largo estava cheio de milhares de alunos, as portas continuavam fechadas, a malta começou a ficar um bocado exaltada, a certa altura aparece a Guarda Republicana a cavalo e a coisa ainda ficou pior e devo dizer que, perante o meu espanto, vi o Marcelo Caetano chegar num Citroën Bico de Pato à Assembleia com 2 batedores, sair, subir as escadas da Assembleia 2 a 2 degraus e vimo-lo a discutir com o comandante da policia que estava lá e foi de tal maneira que minutos depois as portas abriram-se e deixaram sair os alunos que estavam lá dentro ...ainda à bocado não me ocorria o nome do Deputado, era o Eng. Daniel Barbosa, um economista da nossa praça, e portanto foi uma situação que nunca mais assisti, mas também nunca mais fui ao anfiteatro da assembleia, mas foi o Daniel Barbosa...

JPDF – O Henrique assistiu a tudo?

HMdS – Assisti, as galerias cheias de malta em pé e um barulho enorme, na altura era presidente o Prof. Albino dos Reis, o tipo dava murros na mesa e caiu-lhe os dentes e não conseguia encaixar os dentes, uma cena do arco da velha, porque apareceram uma série de deputados a fazer de entrada, a apologia de que era bom era que se cumprisse a determinação do ministro, é claro que a Assembleia da República vinha abaixo com o barulho e o tipo queria evacuar a assembleia e até que a certa altura entrou o Daniel Barbosa e fez um discurso memorável, memorável, nunca vi um discurso daqueles, ele começou por elogiar cada um dos oradores que o tinham precedido, na assembleia, os favoráveis, a assembleia e depois chamou bestas com todos os nomes ...

JPDF – Que desmanchou aquilo peça por peça?

HMdS – Desmanchou, provou que eles eram uns broncos ...espectacular e aquilo era o Decreto Lei 2013 salvo erro e nunca foi para diante...

JPDF – Mas portanto conseguiram que isso não acontecesse,

HMdS – Sim não aconteceu de todo...

JPDF – Mas ele depois continuou na assembleia?

HMdS – Não, não, isso foi o cantar dele de cisne como deputado, ele já tinha sido ministro da Economia e depois quando acabou foi para deputado e enfim, ele não estava de acordo, estava tão em desacordo com as linhas gerais da governação de então, que as aulas dele no 6 ano do Técnico eram aulas às 8 da manha e aulas teóricas e as aulas não tinham faltas, pois o anfiteatro principal enchia-se por completo e malta de pé a ouvir, porque ele começava a aula trazendo o Financial Times do dia e na aula era comentado como o mundo de finanças e não de Portugal...ora bem, e o Daniel Barbosa era um professor espectacular e as aulas dele eram no sexto ano e enchia-se o anfiteatro...

JPDF – Também tinha estado no estrangeiro?

HMdS – Não, que eu sabia não...

JPDF – Está bem Henrique.

Agradecimentos