A contribuição da Fundação Calouste Gulbenkian para o desenvolvimento da microscopia em Portugal (Palestra - 2006)

J. F. David-Ferreira

A contribuição da Fundação Calouste Gulbenkian para o desenvolvimento da microscopia em Portugal

XLI - Congresso da Sociedade Portuguesa de Microscopia, Braga 14/15 Dez. 2006

 


 

A Contribuição da Fundação Calouste Gulbenkian para o desenvolvimento da Microscopia em Portugal
XLI Congresso da Sociedade Portuguesa de Microscopia – Braga 14/15 Dez. 2006
Presidente da Sociedade Portuguesa de Microscopia – Prof.ª Doutora Leonor Cancela

Prof.ª Leonor Cancela, Secretário Armando Almeida
Senhores V. Presidentes da SPM
Nuno Sousa
Rui Reis
(Saúdo a Universidade do Minho, nos pólos de Braga e Guimarães, Escolas das Ciências da Saúde)

Agradeço à Direcção da SPM, na pessoa da Presidente Vice-Reitora Doutora Cecília Leão, a oportunidade e o privilégio de, no ano em que se comemoram os 50 anos de actividade da FCG, vos poder falar sobre a sua contribuição para o desenvolvimento e progresso da microscopia em Portugal.

Uma saudação muito especial para os dinossauros aqui presentes, meus compatriotas.

Não pretendo fazer um inventário exaustivo de todas as acções realizadas, no âmbito do titulo que esta intervenção contempla, mas dar um testemunho de acontecimentos em que participei ou a que assisti:
Como todos os testemunhos, reflecte uma visão pessoal, inevitavelmente incompleta, que outros poderão completar ou corrigir se for caso disso.

O mecenato é prática antiga como a origem da própria designação indica ao consagrar o nome de Caius Clinius Macenas, um cidadão romano, que durante o reinado do Imperador Augusto, isto é entre 21aC e 14aC, foi protector de poetas entre os quais Horácio, que lhe dedicou um poema que o imortalizou.

Os primeiros beneficiários do mecenato foram as artes e os artistas que príncipes e poderosos protegeram e a cujas almas para a sua glória ficaram associados e imortalizados.

Também a protecção dos mais necessitados e desprotegidos é prática antiga inspirada ou motivada nas virtudes cívicas ou religiosas.

As motivações que animam os mecenas são múltiplas e complexas. Desejo de glória e de imortalidade, de garantir a sobrevivência de uma obra, expressão de poder, de generosidade inata...

Não faltaram explicações, mas cada caso é um caso e sejam quais foram as motivações o mecenato é socialmente reconhecido como uma actividade nobre.

O mecenato científico é prática recente e surge em todo o esplendor nas primeiras décadas do século XX e está associado ao desenvolvimento e sucessos da ciência moderna, quando se tornaram evidentes os benefícios sociais da ciência no combate a algumas das pragas que assolavam a humanidade.

As descobertas de Pasteur, Ehrlich e Koch popularizaram as virtudes das ciências e esses contributos despertaram muitas motivações.

Os exemplos são muitos.

Um caso paradigmático é o da Fundação de Rockefeller que, em 1901, tomou a iniciativa de construir e financiar o Rockefeller Institute for Medical Research. Uma instituição modelar para a época. Na área da investigação e cujo prestígio se consolidou com muitas contribuições para o progresso das ciências bio-médicas.

Também entre nós há um exemplo mais modesto do mecenato científico nas primeiras décadas do século XX (192X), o que deu origem ao Instituto Bento Rocha Cabral que foi constituído pelo legado de um português que destinou a fortuna que fez no Brasil para a constituição e funcionamento deste Instituto. Foi impressionado e motivado pelos avanços e benefícios da ciência, que a leitura dos artigos de um jornal lhe revelavam, tomando então decisão invulgar no nosso meio.

Em 1956 com a constituição da FCG cujos estatutos reflectem a vontade do fundador, foi lançada a maior e mais completa iniciativa mecenática de que há memória no nosso País.

Dispondo de um vasto património e consideráveis rendimentos a nova instituição propunha-se não só dar um "lar" condigno aos objectos e obras de arte que o fundador reuniu durante a sua vida, evitando a sua dispersão, mas também intervir nas áreas filantrópicas consagradas nas Artes, na Beneficência, na Educação e na Ciência.

Projecto ambicioso que começou a ser construído pelo Dr. Azeredo Perdigão, o executor testamentário e primeiro Presidente do seu Conselho de Administração, que com justiça podemos considerar seu co-fundador.

Jurista iminente, rapidamente resolveu os problemas inerentes às contestações dos herdeiros e à recuperação das obras "emprestadas" ou em depósito em museus no estrangeiro.

Hábil na administração e gestão dos meios financeiros da Fundação, consolidou e alargou o património recebido e expandiu as áreas de acção directa.

Homem de acção determinado e visionário, construiu os alicerces da imensa obra cuja realização ainda prossegue, com as adaptações que as circunstancias aconselham e que os diferentes Conselhos de Administração sábiamente tem vindo a dar forma.

A rapidez com que a Fundação iniciou a sua actividade surpreende.

Um ano, ou talvez menos, após a publicações do decreto que lhe deu existência legal, já estavam a ser atribuídas bolsas de estudo e distribuídos subsídios para apoio a instituições e projectos e na área das acções directas organizadas e programadas actividades exemplares. (Bibliotecas itinerantes).

Um rol imenso que o entusiasmo do Presidente e dos colaboradores que escolheu e reuniu à sua volta dinamizaram e que desde o início elegeram como prioridade a Educação e a Ciência.

E agora uma primeira história que documenta o que estamos a tratar.

Em 1956, quando me encontrava em Paris a completar um estágio para aprendizagem das técnicas de microscopia electrónica, o Prof. Xavier Morato, de quem era assistente e que sabia que não existiriam condições para a sua prática quando do meu eventual regresso, dirigiu ao Presidente da Fundação o pedido de subsidio para instalação de um laboratório de microscopia electrónica no Instituto de Histologia e Embriologia de que era Director. O pedido fundamentado na importância das novas técnicas na investigação de células e tecidos e na existência de um investigador já preparado para a sua execução foi avaliado e rapidamente aprovado.

Em Setembro de 1956, quando me encontrava a participar no I Congresso Regional da Microscopia Electrónica, realizado em Estocolmo, recebi um telegrama do Prof. Xavier Morato a comunicar-me que a Fundação tinha aprovado o projecto que apresentara e concedido o subsidio.

O laboratório começou a ser instalado em 1957 e foi inaugurado em 1958, já em funcionamento.

O laboratório de Microscopia Electrónica Calouste Gulbenkian era um pequeno laboratório em anexo ao IHE, cujo funcionamento inicial foi também financiado pela Fundação.

Numa época em que as técnicas utilizadas não estavam consolidadas e em que manutenção em funcionamento do microscópio não era assegurada a nível local, não foi tarefa fácil, dada a dificuldade e demora na importação de peças de substituição e de outros materiais, pouco comuns para as técnicas de preparação do material biológico.

Uma avaria podia resultar numa paragem efectiva de meses.

A prevenção era a estratégia recomendada e mesmo a escolha do microscópio obedeceu ao critério da assistência. O microscópio RCA foi escolhido porque a RCA era a única firma que garantia na época na Europa um serviço de assistência com técnicos especializados.

O laboratório cumpriu de forma adequada as suas funções, não só pela investigação realizada, entre as quais a minha tese de doutoramento e outros trabalhos de investigação no âmbito do IHE, mas também assegurando pela colaboração com os investigadores de outras instituições nomeadamente na área de virologia com a EAN (doutora Maria de Lourdes Borges) e do Instituto Câmara Pestana (Dr. Plácido de Sousa) e da Faculdade de Ciências do Porto (Dr. Resende Pinto).

O microscópio era na época, pela novidade, motivo de grande curiosidade. Visitas e demonstrações eram constantes. Foram organizados estágios de iniciação e realizadas conferencias em que se divulgaram as suas aplicações em investigação bio-médica.

Tudo possível dado o apoio permanente do serviço de ciência da FCG de que era Director o Dr. Ribeiro dos Santos. (os episódios incríveis também foram muitos em projectos que nos foram propostos mas foram ultrapassados).
Nos anos que sucederam à inauguração deste primeiro laboratório, habilitado para executar as técnicas então praticadas para visualização de estruturas biológicas, outras instituições tomaram a iniciativa de promover a instalação de laboratórios com a mesma vocação.

Foram concedidas bolsas para a formação da nova geração de microscopistas, jovens assistentes que como eu iniciavam uma carreira cientifica e que a Fundação também apoiou com a aquisição de microscópios e outros equipamentos que tornaram possível a sua actividade. É o caso exemplar do Centro de Citologia Experimental instalado na Faculdade de Ciências do Porto onde distintos membros desta sociedade de diferentes áreas (então assistentes e mais tarde professores) realizaram os seus trabalhos e iniciaram os seus colaboradores. O mesmo processo foi iniciado e prosseguido mais tarde no Centro de Microscopia electrónica da Universidade de Coimbra.

Dos 12 microscópios que equiparam em 1986 as várias instituições de investigação nacionais tinham sido adquiridos com subsídios da FCG.

No inicio da década de 60 por razões e divergências que não interessa agora comentar, decidi demitir-me do meu cargo de 1º assistente na Faculdade de Medicina (o actual lugar de Professor auxiliar) com a intenção de emigrar para os Estados Unidos onde já tinha um lugar assegurado. Fui então contactado por um colega e amigo (o Doutor Peres Gomes) que conhecia a minha decisão e me informou que a Administração da FCG tinha decidido dar andamento a um projecto de 1961, recomendado pelo Conselho Consultivo de construir e financiar um Instituo de Investigação próprio. Nessa resolução estava prevista a construção do Centro de Biologia. No projectado Instituto Gulbenkian da Ciência em Oeiras.

Convidado a integrar esse projecto, pelo Prof. Fernando da Fonseca, aceitei e como já estava demissionário na Faculdade para ir para os Estados Unidos para trabalhar na NIH em Bethesda, agora não como emigrante mas com o estatuto de investigador visitante, aí permaneci até 1965 ano em que estava prevista a conclusão da construção do Centro de Biologia do projectado IGC.

Em 1965 quando depois do regresso me encontrava a aguardar a conclusão das obras em Oeiras, em instalações cedidas pelo Prof. Flávio Resende na Faculdade de Ciências (Escola Politécnica), e a viver a depressão do regresso (1), se realizou a reunião que o Prof. António Coimbra referiu na conferência comemorativa do vigésimo aniversário da SPME.

Participaram nessa reunião o Eng. Miguel Mota, Manuel Teixeira da Silva, Roberto Salema, António Coimbra e eu próprio. Quando essa reunião se realizou encontravam-se já em funcionamento no País dois laboratórios com capacidade para praticar as técnicas de investigação ultrastrutural. (equipadas com o saudoso microscópio Siemens IA).

(1) Depressão não porque tivesse desejado o regresso por amor à minha terra mas pela inactividade a que fiquei condenado e prejuízo no andamento de trabalhos iniciados nos Estados Unidos.

O entusiasmo dos promotores da reunião pela proposta da criação da SPME era enorme, certamente animados pelos resultados obtidos pelas técnicas que já praticavam.

A vivência americana ensinara-me que uma sociedade de microscopia electrónica só faria sentido quando físicos e biólogos se associavam para discutir e analisar técnicas e instrumentos.

Onde estavam entre nós os físicos e construtores de instrumentos?

A minha ideia e contra-proposta, também inspirada na vivência americana, era no sentido de se formar uma Sociedade de Biologia Celular onde na época se concentravam nos Estados Unidos todas as iniciativas, esforços e atenções...

Não convenci, a SPME foi criada e os estatutos aprovados, a I reunião realizou-se no Porto e a II reunião em Oeiras no Centro de Biologia.

Desde então realizaram-se 40 reuniões anuais todas muito participadas, [segundo o Prof. A. Coimbra na reunião comemorativa do vigésimo até 1980, foram presentes 450 comunicados]

Não se pode deixar de considerar um êxito que confirma a bondade dos estatutos iniciais e o modelo adoptado para as reuniões.

Desde a entrada em funcionamento do Centro de Biologia de IGC, em 1966, que se começaram a cumprir os objectivos para que fora criado com os resultados bem visíveis na qualidade do trabalho realizado por ex-bolseiros e colaboradores.

O Centro de Biologia beneficiou pelo facto de estar integrado na própria Fundação e embora as facilidades não fossem tão grandes como se pensava eram possíveis acções e actividades que só muito dificilmente seriam realizáveis sem o seu apoio.

Referirei agora rapidamente duas acções que se enquadraram no espírito desta intervenção e que não teriam sido possíveis sem a participação da Fundação.

O ensino pós-graduado foi sempre uma vocação da IGC, vocação aliás contemplada nos objectivos estabelecidos nos seus estatutos. Não era uma prática formalmente organizada. A sua institucionalização formalizou-se em 1964 quando foi aprovado o programa dos Estudos Avançados de Oeiras, uma iniciativa de que foi responsável, coordenador e dinamizador o meu colega e saudoso amigo Nicolau Van Uden.

Os EAO eram um programa internacional de cursos monográficos cobrindo áreas de investigação afins das que eram praticadas nos laboratórios do Centro.

O grande interesse despertado por estes cursos deve-se ao modelo adoptado, aliás ainda hoje recomendável. Os cursos orientados por especialistas convidados de reconhecida competência internacional e com a colaboração de investigadores do Centro.

A transição de conceitos técnicos associava-se à prática laboratorial, oportunidade para divulgar novas técnicas/métodos de investigação que eram depois introduzidos nos laboratórios de origem dos participantes, e ainda seminários em que eram discutidos e analisados resultados de investigações em curso.

Os 80 cursos e workshops dos EAO que se realizaram de 1969 a 1985 tiveram 1325 participantes dos quais 796 de Portugal, 357 de Espanha, 47 do Brasil, 22 da Arménia e 103 de outras nacionalidades, Polónia, etc..

Os cursos de ultraestrutura celular (69, 70, 71, 72 e 75) de Imunocitoquímica e Citogenética, em que a microscopia representava a técnica de base, foram propostos e realizados com o apoio do LBC de que eu era responsável.

Outra iniciativa que me permito recordar pela importância que lhe atribuo e que também não teria sido possível sem o apoio da FCG foi a III International Scholl of E.M. que se realizou em Oeiras em 19XX.
Uma reunião cujo tema central...


(*) Pretendia dar a conhecer o estado da arte nesse ano...

(*) Com a participação de consagrados especialistas internacionais e a colaboração activa de cientistas nacionais. Esta reunião que teve o patrocínio da FCG e da nossa Sociedade permitiu confrontar experiências e analisar as virtudes e os limites dos vários métodos em discussão.

Parte do êxito deve-se também ao modelo utilizado em que habituais conferências teóricas para exposição dos temas foram acompanhadas por demonstrações ao vivo e em ambiente laboratorial, e pelo seu interesse para projectos em curso, Técnicas que terminada a reunião eram introduzidas na prática laboratorial dos participantes quando do seu regresso aos laboratórios de origem (a morfometria e a Imunocitoquímica foram duas das técnicas)

(*) Dos documentos fotográficos dessa reunião que conservei três...

(*) O objectivo é recordar algumas personagens determinantes e muito activas.

 

Concluindo

O Mecenato científico desenvolvido pela FCG é uma historia de sucesso. Durante 50 anos de actividades contribuiu com o seu apoio para:

1 – A formação de duas gerações de cientistas que povoaram as instituições de investigação nacionais;

2 – Com os subsídios que atribuiu para a aquisição de equipamento e para o funcionamento, assegurou a sua actividade e contribuiu para o progresso e desenvolvimento de várias áreas da investigação biológica e biomédica;

3 – Com as iniciativas só possíveis com o seu apoio foi também promovida a internacionalização da ciência praticada no País, não só através de convites a cientistas de outros países para trabalharem em instituições portuguesas, mas também pelo apoio a nacionais para participarem em reuniões internacionais sempre apoiados pela FCG.

(*) Também a SPME foi uma historia de sucesso. A actividade que desenvolveu nos últimos 40 anos nomeadamente através das suas reuniões anuais sempre apoiadas pela FCG.

(*) Permitiram a exposição, discussão e análise crítica dos trabalhos realizados pelos associados, assim como a actualização, introdução e difusão de novas tecnologias.

 

O que se deve, não só ao entusiasmo e participação dos sócios, mas também ao modelo de estatutos e de reuniões que foi adoptado desde a sua fundação e que tem sido melhorado ao longo do tempo. Uma Sociedade Moderna e eficiente (reuniões anuais, publicações em português e inglês ou só em inglês para melhor difusão dos resultados (*)

Quando em 1986 o Prof. A. Coimbra fez um balanço da actividade da SPME contabilizou que durante os primeiros 20 anos da sua existência tinham sido apresentadas cerca de 450 comunicações.

É verdade que também referiu a escassa participação das ciências dos materiais, [mas] é um agrado que verificamos que no programa da reunião em curso há já participação assinalável de colegas que trabalham nessa área.

(*) as dificuldades e divergências que as houve foram sempre ultrapassadas com bom senso e espírito de colaboração.

 

Uma reflexão sobre o mecenato científico hoje.

Permitam-me para terminar compartilhar convosco uma reflexão durante os cinquenta anos a que se refere esta apresentação. A ciência como a sociedade evoluíram de forma acelerada. Os avanços na área da Biologia e as tecnologias criadas para sua aplicação geraram benefícios sociais e retornos económicos consideráveis. Os Estados tomaram consciência da importância e começaram a considerar investimentos nesta área como uma prioridade.

Também a nível europeu... o mesmo tem acontecido. 

Justifica-se nas novas circunstâncias o modelo do mecenato cientifico praticado desde o inicio do século XX?

Como aconteceu com o Instituto Rockefeller nos Estados Unidos e no WenerGren Instituto em Estocolmo, ambos constituídos e financiados inteiramente pelas grandes Fundações que lhes deram nome, iniciou-se uma mudança na estratégia da aplicação dos fundos dessas fundações.

Uma das poucas críticas que tem sido feitas à Fundação está relacionada com o desenvolvimento e mesmo extinção, que foram no passado (de algumas actividades directas) emblemáticas da sua actividade como por exemplo o Ballet e as Bibliotecas itinerantes.

E o Instituto Gulbenkian? O Instituto Gulbenkian quando foi fundado pretendia seguir o modelo consagrado por outras instituições similares como o Instituto Rockefeller e Wener Gren de Estocolmo.

A partir da década de setenta começou a tornar-se evidente que esse modelo era financeiramente insustentável e funcionalmente deficiente pela estagnação resultante da impossibilidade de renovar parte dos seus quadros.

Foi então encarada a integração do IGC, como Instituto de pós-graduação numa nova Universidade a construir em Oeiras. As negociações com o governo chegaram a bom termo e o decreto que dava andamento ao processo pronto e aprovado, uma semana antes de 25 de Abril. As turbulências que seguiram inviabilizaram esta solução, mas os problemas persistiram com as tentativas renovadas para os solucionar.

 

(*) Nos anos que seguiram sucessivamente foram extintos por negociações três dos centros do Instituto Gulbenkian e os respectivos quadros (integrados) absorvidos por outras instituições que deles necessitavam.

Menos o centro de Biologia (porque a solução radical era mais difícil pela dimensão e prestígio alcançados) O IGC que é o ex-Centro de Biologia é hoje um "host institute" que sobreviveu mas foi progressivamente alterado o modelo funcional e seu financiamento. A Fundação comparticipa hoje com outras instituições no seu funcionamento e financiamento.

Para quem esteja a pensar criar hoje através de uma grande Fundação um Instituto com as características que tiveram no passado os Institutos como o Rockefeller, Wenner Green, antes de dar andamento ao projecto deve parar e reflectir. (o Instituto Rockefeller transformou-se na Post-Graduate Rockefeller University, o Instituto das Ciências Biológicas da Wenner Green Foundation foi integrado na universidade de Estocolmo)

O IGC adoptou um novo modelo – As Instituições para sobreviver tem que ter capacidade para se adaptar a novas circunstâncias. É uma Lei biológica.