Origem, formação e consolidação da Escola de Histologia de Lisboa (Palestra - 2009)

Origem, formação e consolidação da Escola de Histologia de Lisboa

J. F. David-Ferreira

2009

Comemora-se no próximo ano o primeiro centenário da revolução republicana de 5 de Outubro de 1910, um acontecimento histórico de dimensão nacional a que está associado à história recente da Universidade de Lisboa e do Instituto de Histologia e Embriologia, um dos departamentos da Faculdade de Medicina de Lisboa que mais contribuiu para o advento e consolidação da investigação biomédica em Portugal.

Depois da revolução científica que iluminou a ciência europeia a partir do século XVII e durante o século XVIII, iniciou-se na Europa um progresso acelerado no domínio das ciências biomédicas.

Apesar das guerras fratricidas que atravessaram todo o continente, a medicina floresceu. Novos instrumentos de observação e análise do corpo humano, na saúde e na doença, estão na génese do processo criativo, de um conjunto de teorias que começaram a orientar o pensamento médico na compreensão das causas da doença, na sua caracterização, diagnóstico e terapêutica.

O microscópio e as técnicas, que permitiram a sua utilização e o estudo da "matéria viva", ocupam um lugar de destaque neste processo.

O século XIX é o século de ouro das ciências biomédicas. Logo no início, isto é 1800, é enunciada, no Traité des Membranes de Xavier Bichat (1799), a Teoria dos Tecidos, ainda sem recurso ao uso do microscópio, mas fundamentada nas centenas de autópsias e dissecações que o seu autor realizou.

Os seus professores eram directores de Institutos de investigação associados às disciplinas que ensinavam na Universidade.

Foi assim na nova Faculdade de Medicina de Lisboa (e também no Porto).

Com a morte de Miguel Bombarda ficava a cátedra que ocupava na Escola Médico Cirúrgica responsável pelo ensino da Fisiologia e Histologia.

É assim que são nomeados (ou melhor fazem concurso para lhe suceder) Celestino da Costa, para a cadeira de Histologia e respectivo Instituto, e, para a cadeira de Fisiologia e seu Instituto, Marck Athias.

Celestino da Costa torna-se assim, a partir de 1911, líder de uma escola de investigação que reuniu logo de início um conjunto de jovens colaboradores de muito talento, como Roberto Chaves e Simões Raposo.

Na evolução do Instituto de Histologia e Embriologia e da "Escola" de Histologia, de Lisboa, podem considerar-se dois grandes períodos de aproximadamente a mesma duração: o período de 1911 a 1953, em que as suas actividades foram realizadas no edifício da Faculdade no Campo Santana e dirigidas pelo Prof. A. Celestino da Costa e o período de 1953 a 1999 em que as actividades foram realizadas no edifício do Hospital de Santa Maria dirigidas de 1953 a 1974 pelo Prof. Xavier Morato e de 1975 a 1999 sob a minha direcção.

Quando Celestino da Costa e contemporâneos iniciaram os seus trabalhos de investigação, primeiro no Instituto Câmara Pestana e depois no novo edifício da Faculdade no Campo Santana, já tinha terminado o período predominantemente morfológico da história. Os temas e as pesquisas centravam-se agora na interpretação funcional das estruturas observadas, nas células e tecidos. É nesta nova frente, há muito enunciada (e também praticada) pelo aforisma "a estrutura é a imagem plástica das funções", que se vão agora concentrar as investigações de Celestino da Costa e colaboradores.

Desde a sua fundação que a actividade cientifica do IHE foi desenvolvida ao abrigo do financiamento de agências do Estado. Dado que o orçamento da Faculdade era muito limitado, e não contemplava rúbricas destinadas à investigação, foram criadas ao longo do tempo instituições com essa finalidade. Eram atribuídos aos Centros reconhecidas verbas para aquisição de equipamentos, recursos bibliográficos, bolsas para estágios, viagens, participação em congressos Internacionais. Funcionavam assim a Junta de Educação Nacional, sucessivamente Instituto de Alta Cultura e Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC), e, mais tarde, a Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT). Era aliás o modelo seguido na Europa e de que aliás o Prof. Celestino foi um dos promotores.

Durante a direcção de Celestino da Costa funcionou no IHE o Centro de Estudos Endocrinológicos do IAC, através de cujo orçamento suportava as despesas do programa de investigação sobre a histofisiologia das glândulas endócrinas que teve grande impacto na formação de docentes e médicos que contribuíram, através do seu trabalho e iniciativas, para o reconhecimento e institucionalização da Endocrinologia como especialidade médica em Portugal.

O IHE era então um dos que mais atraía estudantes e médicos motivados por uma carreira científica ou académica. Os conhecimentos aí adquiridos sobre a histofisiologia de órgãos e sistemas eram uma boa base para a sua formação ou para a realização de trabalhos de investigação necessários à preparação de uma tese de doutoramento indispensável aos que prosseguiam uma carreira académica.

Professor catedrático aos 27 anos e jubilado aos 70 teve uma carreira longa, plena de actividades criadoras.

Foi um professor universitário competente e cumpridor e um investigador de mérito, líder de uma escola de investigação que marcou a sua época. Mas para além das suas actividades profissionais na área das disciplinas que cultivou cumpriu um dos grandes objectivos da sua vida como promotor da Ciência em Portugal, que o amor à sua Pátria motivava mais do que o desejo de uma glória efémera.

Foi o exemplo vivo, para os que tiveram o privilégio de trabalhar no seu Instituto, do homem de Ciência.

Visceralmente um liberal ele não impunha, observava e estimulava aqueles em que reconhecia o mesmo interesse e amor pela Ciência.

O seu valor e o valor das acções que empreendeu foram reconhecidos e louvados por colegas e colaboradores. Mas apesar da importância nacional, a sua obra é  desconhecida da sociedade.

Ele foi no século XX o Universitário que mais contribuiu para o desenvolvimento da Ciência em Portugal, um reconhecimento que tarda em ser feito. (e.g. acção no IAC)

Foi como gostava de se considerar um apóstolo da Ciência, um apostolo que não se limitou a pregar, fez e deu o exemplo.

Tem nome numa rua estreita de Lisboa, a cidade em que nasceu e de cuja história e geografia deixou testamento numa erudita monografia publicada quando era membro da Sociedade dos Amigos de Lisboa.

Não deixou mergulhar no esquecimento os colegas que a morte foi levando. Fê-lo através de artigos de homenagem póstuma em que revia a sua obra e contribuições.

Fez da cultura e da ciência a sua residência e ainda no final da vida fazia projectos para novos empreendimentos que sempre visavam objectivos em prol da cultura científica. O último era a reforma da Academia das Ciências. Um projecto que acalentava com Reinaldo dos Santos, que revoltado com a atmosfera bafienta e sonolenta da Academia bateu com a porta e saiu. Não era o estilo do Celestino, cujo lema era empreender mesmo sem esperança prosseguir mesmo sem êxito.

Deu a sua última lição durante a conferência plenária de abertura no Congresso des Anatomistes, uma associação de que era então Presidente e cujo congresso se realizou em Lisboa em 19XX, sob a sua Presidência e tendo como secretario o Prof. Xavier Morato.

Celestino da Costa, membro desta associação de que foi participante activo nos serões que se realizavam nas cidades europeias desde XXX. Participou ao todo em XX reuniões.

Era mais um encontro com colegas e amigos de toda a Europa.

Morreu durante a noite, na véspera de se iniciarem as sessões previstas no programa.

Fui seguramente uma das últimas pessoas a vê-lo, quando depois do concerto realizado no palácio da Foz (Restauradores) me despedi junto ao elevador do Lavra que ele tomava a caminho de casa.

(Depois da sua jubilação, a escola de Histologia prosseguia agora no Hospital de Santa Maria de que Augusto Celestino da Costa, com Francisco Gentil, tinha sido um dos promotores.)

Depois da jubilação de Celestino da Costa, o Instituto e o Centro de Estudos que dirigia passaram a ser dirigidos pelo Prof. Xavier Morato, seu discípulo que em homenagem ao seu mestre deu ao Centro de Estudos Endocrinológicos a nova designação de 'Centro de Estudos Histológicos Augusto Celestino da Costa'. O centro continuou a ser subsidiado pelo IAC mas o programa de investigação foi diversificado com novas linhas de pesquisa.

A estratégia delineada pelo novo director tinha ainda como objectivo a introdução de técnicas laboratoriais que abrissem novas vias para os projectos em curso e contemplassem as perspectivas de sua utilização nas ciências da saúde.

Foram escolhidos como temas de investigação as técnicas a introduzir a que foram associados os novos assistentes da cadeira:

(1) ME/Ultraestrutura Celular, cujos resultados publicados nos domínios das estruturas celulares e tecidulares e da microbiologia punham em evidência a sua importância. A introdução do desenvolvimento desta tecnologia. Seria encarregue o 2º Assistente J. F. David-Ferreira

(2) a Cultura de Órgãos Embrionários, que contemplava projectos de embriologia experimental e eventual estudo da acção de agentes físicos, tóxicos e farmacológicos sobre o desenvolvimento embrionário. Foi encarregue à 2ª Assistente Isabel Teixeira.

(3) A Citogenética, uma área muito importante sobre o ponto de vista médico pois a execução de cariotipos era já método de eleição no diagnóstico de doenças congénitas. Foi encarregado o 2º Assistente A. Teixeira Pinto.

Um programa no seu conjunto ambicioso mas de grande potencial científico e interesse médico.

Com o Laboratório de Microscopia Electrónica (ME), cultura de órgãos embrionários e de citogenética, o Instituto ficava em condições de intervir de forma competitiva nas investigações em que participasse e acompanhar os progressos nas áreas de intervenção que escolhesse.

Os assistentes e colaboradores associados às novas tecnologias tinham oportunidade de preparar o seu doutoramento com o objectivo de prosseguirem uma eventual carreira académica.

A instalação do Laboratório de Microscopia Electrónica parecia de difícil realização, consideradas as verbas necessárias para aquisição e instalação do equipamento e também pela complexidade das técnicas de preparação do material biológico para observação, que estavam ainda na sua infância e eram dominados e praticadas num pequeno numero de laboratórios.

A fase inicial do programa de introdução das novas tecnologias pressupunha a preparação prévia dos seus futuros responsáveis. Foi com este objectivo que parti como bolseiro do governo francês para um estágio em Villejuif no Laboratório de Microscopia Electrónica do Instituto do Cancro, de que era responsável o Dr. William Bernhard que viria a ser durante quasi dois anos o meu mentor.

A partir da instalação do Laboratório começaram a ser desenvolvidos projectos relacionados com as linhas de investigação do Instituto e projectos em colaboração com investigadores de outras instituições e realizados ciclos de conferencias para divulgação das técnicas e aplicações da microscopia electrónica e centenas de demonstrações do funcionamento do ME para estudantes e visitantes. O Microscopio Electrónico era uma grande novidade cujo poder de ampliação fascinava todos.

Pessoalmente o meu beneficio imediato foi ter podido concluir os trabalhos de investigação conducentes à minha tese de doutoramento, que ficaram concluídos em finais de 1959 e foi defendida, na aula magna da Faculdade, perante um Júri que na altura era formado por todos os professores catedráticos da Faculdade, mais os catedráticos de Histologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra – Prof. Tavares de Sousa e da Faculdade de Medicina da UP – Prof. Silva Pinto.

Durante cinco anos, i.e. desde 1959, dirigi o Laboratório, mas em 1964 por divergências de ordem estratégica sobre a orientação do laboratório e também do Instituto onde se vivia um desagradável clima de intriga comecei a contemplar a hipótese de pedir a minha demissão da Faculdade e emigrar. O que de facto veio a acontecer. Fui substituído na manutenção em funcionamento do Laboratório por dois ex-estagiários a Dr.ª Lille Falcão e pelo Dr. Nascimento Ferreira.

A minha decisão foi tomada a frio e não precipitada. Comecei por expor ao Prof. Morato as minhas divergências numa entrevista que a meu pedido foi feita em sua casa, onde fui recebido e ouvido com muita cordialidade.

A verdadeira resposta veio porém na manhã do dia seguinte, quando inesperadamente irrompeu no Laboratório com uma atitude hostil, e se limitou a verificar com os dedos se haveria poeira nas ombreiras das portas e a sair. A resposta às minhas considerações da véspera estava dada.

Acelerei os meus contactos para a procura de um emprego no estrangeiro de que se destacou um Laboratório nos Estados Unidos.

Informei o Prof. Morato da minha decisão, fiz o pedido de demissão, que foi aceite e isso sem que antes não tivessem sido feitas tentativas nomeadamente da esposa do Prof. Morato, D. Amelia Morato, para inverter a situação.

É então que, mais uma vez, surge no meu caminho a Fundação Calouste Gulbenkian cujo Serviço de Ciência de que era Director o Dr. Ribeiro dos Santos tinha em andamento um projecto do seu Conselho Consultivo de construir e financiar um Instituto de Investigação Científica constituído por vários centros, entre os quais constava um Centro de Biologia e conhecidas que foram pela Fundação as minhas intenções de abandonar o País (através possivelmente do meu colega e amigo Dr. Peres Gomes, que era então também Professor Auxiliar na Faculdade e estava envolvido no Projecto do Instituto Gulbenkian). Fui contactado pelo Prof. Fernando da Fonseca, que me convidou formalmente a integrar o Grupo que esperava uma ante-proposta para constituição do projecto e dirigir um dos Laboratórios a construir.

Pensei e aceitei com a condição de que aguardaria a conclusão da construção do edifício já planeado para a Quinta do Marquês de Pombal em Oeiras.

Nos Estados Unidos para onde já estava a preparar a minha estadia como emigrante em Bethesda, no National Institute of Health no Laboratório de Dr. A. J. Dalton (viral oncology), permaneci em Bethesda até XXXX, completei os trabalhos já iniciados em Lisboa e iniciei novos projectos integrados nos programas de investigação do Instituto.

Regressei a Portugal para ver os alicerces ainda em construção do Centro de Biologia, na Quinta do Marquês em Oeiras, depois de me ter sido anunciado que a construção estava prestes a ficar concluída (o complô de Peres Gomes / Ribeiro dos Santos).

Foi um ano de espera e de interrupção de projectos que iniciara com sucesso que durante esse tempo de espera perderam oportunidade.

A partir de 1967 data de inauguração do Centro de Biologia comecei a dirigir o Laboratório de Biologia e a integrar a partir de XXX. Os Estudos Avançados de Oeiras surgiu então como uma iniciativa promovida e dirigida pelo meu colega Nicolau Van Uden, Director do Laboratório de Microbiologia e meu saudoso amigo.

(Inserir Doc. JFDF: A Influência do IGC no desenvolvimento da Ciência em Portugal)

Depois do IGC, regresso à Faculdade, a Revolução de Abril de 1974 devolveu-me à Faculdade, tendo sido convidado, etc..

Os projecto de investigação já em execução, alguns dos quais iniciados no IGC, prosseguiram e foram sendo enriquecidos com a admissão de novos colaboradores, estagiários e bolseiros para Doutoramento, com a abertura de novos concursos, como os programa CIENCIA e PRAXIS proporcionavam.

Assim foi aumentando a massa critica a trabalhar no CEBIP e a participação dos vários grupos em projectos de cariz Biomédica.

É de referir a sábia iniciativa do Conselho Científico da Faculdade (presidente João Lobo Antunes) de criar o doutoramento em Ciências Bio-Médicas, o que permitiu a integração e participação de licenciados não médicos nas actividades científicas da Faculdade. O número de candidatos a doutoramento aumentou significativamente com benefícios de pluridisciplinaridade daí decorrente.

Para corresponder à procura foi necessário remodelar as instalações do Instituto e criar novos espaços laboratoriais.

Do muito equipamento adquirido através do Programa CIENCIA merece menção especial para o sucesso e bom andamento das investigações a decorrer, como a aquisição de um Microscópio Confocal de Transmissão, de que já tinha experiência a Maria do Carmo Fonseca, na sequência de uma Post-Graduação feita nos Laboratórios da EMBO em Heidelberg. Supervisionou a sua instalação, funcionamento e sucessivos melhoramentos assim como promoveu cursos para a divulgação da sua prática.

Os trabalhos publicados pelos investigadores que se integraram no CEBIP, em revistas internacionais de referência e o número de projectos submetidos deram ao CEBIP merecida projecção e a classificação de excelente nas sucessivas avaliações a que foi submetido.

Em 1999, com a publicação do Decreto-Lei 125/99 em que se institui a figura de laboratório associado abriram-se novas perspectivas aos Centros criados ao abrigo do Programa Ciência.

A aprovação da candidatura apresentada pelo CEBIP a laboratório associado foi o prólogo da constituição do Instituto de Medicina Molecular (IMM), um projecto latente desde 1998 que as novas circunstâncias tornaram possível com a associação de alguns centros e unidades da Faculdade de Medicina.

A constituição do IMM, concluída em Novembro de 2001, representa o culminar de um processo que teve como objectivo dotar a FML dos meios instrumentais e recursos humanos capazes de introduzir, aplicar e desenvolver as modernas técnicas de Biologia Celular e Molecular e promover a sua utilização em investigação bio-médica.

Um projecto colectivo perseguido durante décadas e cujo sucesso se começou a reflectir na qualidade do ensino e na sofisticação dos métodos utilizados na investigação.

A Faculdade de Medicina sempre se distinguiu pela sua actividade científica tanto na área das ciências básicas como nas ciências clínicas, ocupando desde a sua reinstalação um lugar de destaque no panorama nacional das Ciências da Saúde.

Com a formação do IMM e sua instalação no recentemente construído edifício Egas Moniz criaram-se condições e reuniram-se capacidades técnicas e talentos para um novo ciclo de progresso em que as novas ferramentas da Ciência contemporânea serão utilizadas para o avanço do saber biomédico e introdução de técnicas avançadas de diagnóstico e terapêutica. É a era da Medicina pós-genómica que as grandes descobertas do século XX tornaram possível.

Quanto ao novo Edifício Egas Moniz em que está instalada a FML e o IMM, a sua construção vinha sendo reclamada desde os anos 80, pelos Conselhos Directivos da Faculdade, para instalar as cadeiras do 2º Grupo (um laboratório pluridisciplinar) e também das cadeiras de Microbiologia, de Fisiopatologia, de Higiene e Epidemiologia, assim como um Centro em anexo ao Centro de Saúde. As Ciências ditas morfológicas não eram contempladas neste.

A primeira proposta foi feita e aprovada em 1985, mas o projecto de construção do edifício então designado Instituto de Ciências Fisiológicas só se iniciou 10 anos mais tarde. O projecto inicial foi remodelado de forma a contemplar nas novas circunstâncias do Instituto de Histologia cujas instalações se encontravam há muito em consequência do seu desenvolvimento.

Epílogo feliz com a constituição do IMM, cujo Presidente é o Prof. J. L. Antunes e secretária executiva a Prof.ª M. Carmo Fonseca.

Tive o privilégio de os ter associado aos projectos que desenvolvi e liderei, como excelentes colaboradores, recrutados entre os estudantes que tive motivados para actividades científicas.

Um grupo de assistentes que pelos seus talentos e pelas actividades desenvolvidas considero membros naturais do que chamo a "Escola de Histologia de Lisboa", em homenagem aos meus mestres Augusto Celestino da Costa, Luís Henrique Dias Amado e Xavier Morato, que a sua memória perdure.

O que me propus fazer nesta intervenção foi transmitir o que me foi relatado por alguns dos professores que os viveram.

Falei-vos também de acontecimentos em que participei mas a que ainda falta o distanciamento temporal para que sejam história, são simplesmente um testemunho.

E Agora? A história do futuro é ficção, mas a análise objectiva do presente é tarefa obrigatória a que não nos devemos furtar se não quisermos repetir erros ou caminhar sem bússola, guiados pelo que pensamos ser o acaso.

Hoje foi tempo para falar do passado espero que outra oportunidade para especular sobre o futuro tendo presente os versos de Camões:

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Todo o mundo é composto de mudança
Tornando sempre novas qualidades"

Uma recomendação final: o lema escolhido pelo fundador da "Escola de Histologia de Lisboa" Celestino da Costa e que adoptou de um aforisma de Guilherme de Orange, o Taciturno, será válido para os que perseguem a aventura da Ciência - "Empreender mesmo sem esperança, prosseguir mesmo sem êxito".