Candidatura da Equipa Reitoral de José Barata Moura (Discurso - 1998)

Sessão de apresentação da equipa reitoral do Candidato José Barata-Moura

Reitoria da Universidade de Lisboa 21 de Janeiro de 1998


As razões de um Compromisso
J. F. David-Ferreira

Como membros da UL, temos razões para nos congratularmos pelo facto de, nas próximas eleições, para o cargo de Reitor, não estar em causa uma "candidatura solitária" e, para agradecermos a ambos os candidatos a sua disponibilidade para concorrerem e assim criarem uma oportunidade para, através das sessões de apresentação e esclarecimento, se debaterem os problemas reais que enfrentamos e de exporem a sua visão de uma Universidade a caminho do nosso tempo.

Como é do conhecimento público apoiei, desde o seu lançamento, a candidatura do Prof. Barata Moura. Não estão em causa nem questões de amizade nem o respeito que ambos os candidatos me merecem, mas a convicção de que é preciso renovar ideias e vontades e explorar novas vias para problemas há muito pendentes.

Conheci o Prof. Barata Moura no período em que se discutiram e aprovaram os Estatutos e verifiquei que, apesar de defendermos pontos de vista diferentes (representação proporcional versus representação paritária), foi possível, não só um diálogo civilizado e frutuoso, como imaginar e encontrar, em conjunto, soluções que aproximaram pontos de vista opostos e permitiram mitigar eventuais inconvenientes das soluções propostas. Posteriormente, tive oportunidade, nas sessões da Comissão Cientifica do Senado, em que ambos participamos, de mais uma vez constatar não só o seu empenho como a sua capacidade de diálogo e contribuição para encontrar criativamente soluções abrangentes.
Reconheço-lhe pois, qualidades para uma liderança participada e criativa.
A minha integração na equipa reitoral que propõe foi o resultado de um convite que me honra, mas a que opús argumentos e objecções, entre os quais limitações temporais que não me permitirão acompanhar todo o mandato. Apesar dos meus argumentos, o convite foi renovado e aceitei, na convicção de que poderei, na eventualidade da sua eleição, contribuir com a equipa que formou para a renovação que se pretende.

O que está em causa, não são só espaços e "cifrões", mas uma certa ideia de Universidade na sua missão mais nobre de criar e promover cultura. Com capacidade para discutir e confrontar, no seu seio e com a comunidade em que se integra, não só os problemas da nossa sociedade como os grandes problemas do nosso tempo. Sem neutralidades cinzentas, sem os medos antigos de discutir e confrontar ideias e opiniões numa atmosfera de convivência, compreensão e tolerância. Sem exclusões, única fórmula que permite construir coesão na diversidade. Coesão indispensável para levar a bom termo a missão de criar e transmitir saberes.

No contexto da renovação e modernização, que esta equipa se propõe realizar, o meu compromisso é dar apoio a uma ideia antiga, expressa no artigo 8 dos Estatutos, em que se diz: "A UL é apoiada, no exercício das suas funções, pela Fundação da UL". Para que este propósito se realize, é necessário encontrar soluções e criar condições para a sua concretização. A Fundação da UL, pode e deve ser o instrumento de realizações que promovam a vertente cultural da vida universitária na sua diversidade e interdisciplinaridade. Dinamizadora de iniciativas e projectos.

No seu âmbito, é preciso abrir o diálogo com os que já participaram na vida da nossa Universidade e que devem ser considerados como parte do corpo institucional a que hoje pertencemos. Todos os que aqui se formaram, ensinaram ou trabalharam e que reconhecem ser esta a sua "alma mater", como antigamente se dizia, devem ter oportunidade de se pronunciar e seguramente contribuir para a modernização das nossas Escolas. Devem ter o estatuto de interlocutores privilegiados e legítimos representantes da instituição.

Pretendo, ainda, dar a minha colaboração para que a investigação cientifica seja, de facto, considerada como um dos vectores fundamentais do trabalho universitário.
São estes os projectos a que penso associar-me, se a Assembleia da UL, no uso pleno da sua legítima representatividade, escolher o candidato que apoio e com cuja equipa compartilho uma certa ideia de Universidade.